'Vende-se um véu de noiva': estreia fraca

18-06-2009 20:41

A novela chama-se “Vende-se um véu” de noiva, mas, a julgar pelas primeiras cenas, poderia bem ser “Vende-se uma ilha no litoral de São Paulo”. O SBT investiu na produção e o resultado foi visível: inúmeras
seqüências aéreas sobre a bonita paisagem — principalmente uma ilha onde a história começou —, e muito menos estúdio do que externas, tudo isso em HD. Mas os motivos para elogios terminam aí.  A novela adaptada por Íris Abravanel da história original de Janete Clair é um concentrado de diálogos mal- amarrados e interpretações amadorísticas. A história, pelo menos neste primeiro capítulo, pareceu cheia de clichês, o que, num dramalhão, não seria demérito não fosse o resultado confuso e quase colegial. A movimentação dos atores é tão cheia de marcações que há momentos em que o espectador jura que eles vão começar a pular amarelinha. O destaque em expressão corporal esquisita ficou por conta de Thaís Pacholek, a mocinha Maria Célia Baronese: a personagem, grávida, anda meio de lado. Seria o peso da barriga cenográfica? Irani Jamba protagonizou o momento- “Pantanal”/“Dona Beija” da noite de estreia ao mergulhar com os seios de fora ao som de “Somewhere over the rainbow” (?). Esta só não foi a sequência
mais nonsense da noite porque acabou superada pelo dramático tango que encerrou o capítulo. “Vende-se um véu de noiva” possui pegada popular, mas atira em várias direções e falta estilo próprio. Bebe um pouco nas novelas da extinta TV Manchete, tem o carimbo de Janete Clair, mas não herdou a criatividade dela, e lembra ainda os enredos mexicanos de que o SBT foi freguês durante tantos anos. Mas nem isso é.